Kung-fu
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Wushu, que literalmente significa “artes marciais”, é também conhecido como Kung-fu. Como uma arte tradicional, o Kung-fu faz parte da grande herança cultural do povo chinês que, com seus movimentos elegantes e de extrema eficácia, tem exercido um enorme fascínio sobre inumerável quantidade de pessoas.
Sua origem pode ser encontrada na Pré-história, onde nossos ancestrais eram obrigados a luta contra os animais selvagens e outros homens, a fim de garantir sua sobrevivência. No curso das lutas entre tribos, eles vieram a compreender que, para derrotar o inimigo, deveriam não apenas ter boas armas, mas também melhorar sua capacidade física e sua habilidade de combate, através de intensivo treinamento nos tempos de paz. Isto levou ao desenvolvimento de diversas artes marciais ao longo dos séculos.
Os guerreiros de Chi You, que travou memoráveis batalhas contra o legendário Imperador Amarelo, criaram um tipo de exercício militar denominado Jiadi, no qual os contendores lutavam utilizando capacetes com chifres. Outro tipo de disputa muito conhecida era o ganqiwu, onde os lutadores utilizavam um machado numa mão e um escudo noutra.
Na Dinastia Zhou (séc.XI-221 a.C.), a Luta Livre era considerada um esporte militar, juntamente com o Arco e Flecha e a Corrida de Carruagens. O uso da espada também era muito popular naquele tempo. O próprio Imperador Zhou Wen, que governou o Reinado de Zhao em 298 a.C. a 266 a.C., era tão fascinado com a habilidade no manejo da espada, que mantinha em sua corte 3.000 convidados que “competiam dia e noite, a fim de ver quem era o mais hábil no uso da espada”.
No período dos Estados Combatentes, surgiram numerosas estratégias que enfatizavam a importância do Kung-fu para a formação de um exército verdadeiramente forte. Sun Zi, o autor do mais antigo livro existente sobre a “Arte da Guerra”, assinala que “os exercícios de combate contribuem para fortalecimento do estado físico dos soldados”.
Nesta época, algumas mulheres figuraram entre os mais destacados mestres no manejo da espada, Uma delas, chamada Yue Nü, foi convidada pelo Imperador Gou Jian a formular suas teorias, que foram altamente apreciada por seus contemporâneos e gerações anteriores.
Na Dinastia Han posterior (25-220), um médico famoso chamado Hua Tuo (falecido em 208) criou uma seqüência de exercícios para a saúde que imitavam os movimentos do Tigre, do Cervo, do Urso, do Macaco e do Pássaro. Conhecido como Wuqinxi ( O jogo dos cinco Animais), estas séries auxiliavam “ a tornar flexível o corpo e estimular o apetite”. Wu Pu, um discípulo de hua, certa vez disse “para ter dentes sadios, e visão e audição excelentes mesmo aos oitenta anos, pratique o Wuqinxi”. Outro discípulo de Hua, chamado Fan A, viveu mais de cem anos. O trabalho de Hua teve profunda influência nos exercícios direcionados para a saúde na China nos anos posteriores.
Na Dinastia Jin (265-420), o Wushu recebeu influências do Budismo e do Taoísmo. Ge Hong (284-364), famosos médico e filósofo taoísta, integrou o Qi Qong, importante ramificação da Medicina Chinesa Tradicional, ao Kung-fu.
Suas teorias em relação à ação externa (Yang) e interna (Ying) no Wushu são universalmente conhecidas até nossos dias.
O sistema de exame da corte, iniciado na Dinastia Tang (618-907) deu um forte impulso ao desenvolvimento do Wushu. Todos os oficiais e soldados deveriam passar por testes de artes marciais, antes de serem promovidos.
Títulos honrosos como “Guerreiro de Coragem” e “Guerreiro de Agilidade” eram conferidos e destacados mestres do Kung-fu.
Na Dinastia Song (960-1279), organizaram-se uma série de associações de Kung-fu. Neste período, os peritos de Wushu faziam demonstrações de rua.
Em seus repertórios constavam espada contra escudo, lança contra escudo, além se seqüências de movimentos e suas aplicações.
De acordo com uma crônica da capital Kai Feng, estas demonstrações de rua atraiam multidões, todos os dias, no verão ou no inverno, com chuva ou sol.
Na Dinastia Ming (1368-1644), o Wushu prosperou como nunca. Qi Ji Quang, ilustre general, escreveu um livro que tratava de 16 diferentes estilos e formas com mãos livres e outros 40 com lanças, espadas e bastões.
Este livro possuía explicações detalhadas e inúmeras ilustrações. O General Qi formulou também uma série de teorias e métodos de treinamento, que muito contribuiu para o desenvolvimento do Kung-fu.
Durante a Dinastia Qing (1644-1911), apesar de um Decreto Imperial que proibia a prática do Wushu entre o povo, estabeleceu-se uma grande quantidade de sociedades secretas dedicadas a divulgação da arte.
Com a proclamação da República, em 1912, as artes marciais foram ensinadas em todo o país e adquiriram grande prestígio.
Em 1949, o líder comunista Mao Zedong tomou o poder e muitos mestres de Kung-fu, por motivos políticos, emigraram para Taiwan (Formosa) ou para Hong Kong, protetorado britânico.
Atualmente, na China continental, o Wushu tem recebido características desportivas, onde o aspecto competitivo e altamente enfatizado. Não obstante, a prática tradicional do Wushu tem sido preservada.